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Propósito: para que inglês?

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A procura por uma educação que promova o bilinguismo (português- inglês) entre os alunos vem crescendo a cada ano. Dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) mostram que entre 3% e 4% das escolas privadas já entraram nesse formato, o que representa um universo de aproximadamente 270 mil estudantes. Aliado a isso, considerando os últimos cinco anos, o mercado de escola particulares formais cresceu 2% ao ano, em média, no Brasil. Já a fatia das bilíngues se expandiu a índices entre 6% e 10%.

E, então, por quais motivos é que o inglês é tão primordial? Periodicamente nós vemos novos dados que ilustram a sua importância no dia a dia das pessoas. Por exemplo, Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge responsável por avaliações de proficiência da língua inglesa e formação de professores, conduziu com a QS Intelligence Unit, que atua com coleta de dados do mercado empregador e de educação, uma pesquisa com o objetivo de mapear o inglês e o mercado de trabalho em nações não nativas no idioma. A conclusão geral é de que um em cada cinco gestores da liderança dos negócios globais ainda não possui os conhecimentos necessários para atender a expectativa das empresas.

Um em cada cinco gestores da liderança dos negócios globais ainda não possui os conhecimentos necessários para atender a expectativa das empresas

Outro dado interessante é que, apesar de mais de 95% dos empregadores consultados terem declarado que seu domínio é importante, pois representa a língua dos negócios, apenas uma em cada 20 empresas, o que corresponde a 4% da amostra, planeja investir na melhoria das habilidades de inglês das suas equipes. Por outro lado, metade delas oferecem um melhor pacote de benefícios e uma progressão mais rápida para aqueles que possuem bons conhecimentos no idioma. E, de forma complementar, um profissional bilíngue recebe até 61% a mais do que um monoglota, de acordo com a 53ª edição da Pesquisa Salarial da Catho, divulgada em 2017.

Isso por si só já é argumento suficiente para sustentar o motivo inicial pelo qual todos deveriam, no passado, investir no seu aprendizado: a ascensão na carreira. E, é claro, continua atual. Além disto, de uma maneira que se relaciona com o contexto, o estudo no exterior é outra razão que contava pontos no ensino do inglês como estratégico.

A vivência internacional é bem vista pelos recrutadores, já que reflete a resiliência do indivíduo para se adaptar a uma situação adversa, o desenvolvimento intelectual em função da interação com pessoas de outras culturas e também o aprimoramento da língua inglesa, que conduz toda essa experiência. Seu domínio já é primordial durante o processo seletivo para admissão nas principais universidades do mundo, que pedem a comprovação da proficiência por meio de certificados internacionais. E isso não é apenas burocracia.

Indivíduos bilíngues são mais capazes de se imaginar no lugar dos outros, o que ajuda nas relações e emoções

Recentemente, a professora associada de segunda língua da Universidade de York, na Inglaterra, Danijela Trenkic, conduziu um estudo local que tinha a missão de comparar alunos nativos e os internacionais para checar o papel que a linguagem desempenha no potencial acadêmico de cada um. De maneira geral, ela concluiu que existe uma dificuldade para quem tem o inglês como segunda língua. Ou seja, quem veio de fora apresentava um vocabulário médio no idioma com pouco menos da metade do que o dos estudantes naturalizados. Além disso, eles leram e processaram informações com metade da velocidade, entenderam significativamente menos o que leram e foram menos capazes de resumir por escrito o que leram. Para colocar isso em contexto, suas dificuldades com a leitura e escrita foram muito maiores do que as relatadas nos mesmos testes por estudantes locais que sofrem de dislexia, por exemplo.

Entretanto, com o avanço da globalização, não apenas essas duas razões se tornaram mais latentes. Com a democratização da Internet, as barreiras geográficas foram praticamente extintas e seu impacto não foi apenas para a trajetória profissional ou para a extensão dos estudos. As esferas da educação e do comportamento também foram e precisam ser transformadas. E esse é o propósito atual que os agentes do mercado educacional precisam considerar para o desenvolvimento dos seus currículos e dos seus programas.

Pesquisas internacionais mostram que pessoas que aprendem duas ou mais línguas ao mesmo tempo podem combinar conhecimentos disciplinares e modos de pensamento para fazer perguntas, analisar dados, explicar fenômenos e desenvolver uma posição sobre o espaço que os cerca. E tudo isso com um olhar mais global. Especificamente um estudo feito na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, mostrou que indivíduos bilíngues são mais capazes de se imaginar no lugar dos outros, o que ajuda nas relações e emoções.

Ou seja, hoje o motivo principal que guia a necessidade do aprofundamento do inglês nas escolas é o dever que temos de entregar ao mundo cidadãos globais, que estejam engajados em se conectar e se completar para encontrar soluções efetivas e inovadoras para os problemas que constantemente assolam as sociedades contemporâneas, independentemente da sua nacionalidade. O idioma inglês é justamente o que permite que cada um dos nossos alunos de hoje escolha seus projetos de vida, de carreira e de participação na comunidade global.

Fonte: Revista Escola Particular
Autor(a): Adriana L. Albertal – Diretora da Seven Educacional

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